Guia para iniciantes

CFOP: o que é e como usar na nota fiscal.

Se você acabou de abrir uma empresa ou começou a emitir notas, este guia descomplica um dos códigos mais importantes — e mais temidos por quem está começando.

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Othon Andrade CEO · Dr. Imposto — Contador, tributarista e ex-diretor do IBPT
· 7 min de leitura

Se você acabou de abrir uma empresa, começou a emitir notas fiscais ou simplesmente quer entender melhor aqueles números e siglas que aparecem no documento, este artigo é para você. Vamos falar de um dos códigos mais importantes — e mais temidos por quem está começando: o CFOP.

A boa notícia é que, depois que você entende a lógica por trás dele, o CFOP deixa de ser um bicho de sete cabeças e passa a fazer todo o sentido.

O que é CFOP

CFOP é a sigla para Código Fiscal de Operações e Prestações. É um código numérico, padronizado em todo o Brasil, que serve para identificar qual é a natureza de uma operação registrada em uma nota fiscal.

Em outras palavras: o CFOP responde à pergunta "o que está acontecendo nesta operação?". Você está vendendo? Comprando? Devolvendo uma mercadoria? Enviando algo para conserto? Transferindo um produto entre filiais? Cada uma dessas situações tem um CFOP diferente.

Esse código é usado pelo Fisco (as Secretarias da Fazenda dos estados e a Receita Federal) para classificar e fiscalizar as operações. Por isso ele é tão importante: é uma espécie de "etiqueta oficial" que diz, em linguagem que o governo entende, o que aquela nota representa.

Como o CFOP é formado

O CFOP tem sempre quatro dígitos, e cada parte do código tem um significado.

O primeiro dígito indica a direção da operação (se é entrada ou saída de mercadoria/serviço) e a origem ou o destino geográfico:

DígitoO que significa
1Entrada  Vinda do mesmo estado (operação interna)
2Entrada  Vinda de outro estado (interestadual)
3Entrada  Vinda do exterior (importação)
5Saída  Para o mesmo estado (operação interna)
6Saída  Para outro estado (interestadual)
7Saída  Para o exterior (exportação)
Uma dica para nunca mais esquecer: 1, 2 e 3 são entradas (algo está chegando na empresa) e 5, 6 e 7 são saídas (algo está saindo da empresa).

Os três dígitos restantes detalham exatamente qual é a operação. Veja alguns exemplos comuns:

  • 5102Venda de mercadoria comprada de terceiros, dentro do estado (típico do comércio/varejo)
  • 5101Venda de produção própria, dentro do estado (típico da indústria)
  • 6108Venda para consumidor final de outro estado
  • 1102Compra de mercadoria para revenda, dentro do estado
  • 5202Devolução de uma compra
  • 5915Remessa de mercadoria para conserto ou reparo

Repare na lógica: o código 5102 começa com 5 (saída interna) e o "102" diz que é uma venda de mercadoria de terceiros. Já o 1102 começa com 1 (entrada interna) e o mesmo "102" indica a operação correspondente do lado de quem compra.

Como o CFOP é usado em uma nota fiscal

Agora que você sabe o que o código significa, vamos ver como ele aparece na prática.

1. O CFOP fica em cada item da nota

A nota fiscal não tem um único CFOP geral. Cada produto ou serviço listado na nota recebe o seu próprio código. Isso porque uma mesma nota pode conter operações de naturezas diferentes — embora, na maioria das vendas do dia a dia, todos os itens acabem usando o mesmo CFOP.

Na prática, o sistema emissor de nota fiscal pede o CFOP no momento em que você cadastra ou seleciona cada item da operação.

2. O ponto de vista é sempre o de quem emite a nota

Este é o detalhe que mais confunde os iniciantes, então preste atenção: o CFOP é definido pela ótica de quem está emitindo a nota.

Quando você vende algo e emite a nota, está fazendo uma saída — então usa um código que começa com 5, 6 ou 7. Quando essa mesma mercadoria chega ao seu cliente, na escrituração dele aquilo será uma entrada (código começando com 1, 2 ou 3).

Ou seja: a mesma operação tem dois "lados". A venda interna 5102 do vendedor corresponde, lá no comprador, a uma compra 1102. É como uma conversa: o que para um é "estou enviando", para o outro é "estou recebendo".

3. O CFOP determina como os impostos são tratados

O CFOP não serve só para descrever a operação — ele está diretamente ligado à tributação. O código informa ao sistema (e ao Fisco) como aquela operação deve ser tratada em relação a impostos como ICMS e IPI.

Uma venda comum, uma devolução e uma simples remessa para conserto, por exemplo, têm efeitos fiscais completamente diferentes. Uma venda normalmente gera imposto a recolher; uma remessa para conserto, em regra, não. É justamente o CFOP que sinaliza essa diferença. Por isso ele costuma andar de mãos dadas com outro código, o CST (que detalha a situação tributária do item).

4. Um exemplo do começo ao fim

Imagine uma loja de roupas em São Paulo que vende uma camiseta para um cliente, também em São Paulo:

5Saída, mesmo estado
1Grupo da operação
0 
2Mercadoria de terceiros
  • A operação é uma saída (a loja está vendendo) → primeiro dígito 5;
  • É dentro do mesmo estado → confirma o 5;
  • É venda de uma mercadoria que a loja comprou de um fornecedor (não fabricou) → "102";
  • Resultado: CFOP 5102.

Se o mesmo cliente fosse do Paraná (outro estado), o primeiro dígito mudaria para 6, e o CFOP poderia ser, por exemplo, 6108. A natureza da venda é parecida, mas o destino geográfico muda o código — e, com ele, as regras de imposto.

Por que escolher o CFOP certo importa

Usar o CFOP errado não é um detalhe inofensivo. Um código incorreto pode:

  • Fazer a empresa pagar imposto a mais (prejuízo) ou a menos (risco de multa);
  • Gerar inconsistências entre a nota e as obrigações acessórias (como SPED e EFD), o que chama a atenção do Fisco;
  • Causar problemas para o cliente, que pode não conseguir aproveitar créditos de imposto a que teria direito;
  • Resultar em notas fiscais rejeitadas ou em retificações trabalhosas.

Por isso, a escolha do CFOP deve refletir com fidelidade o que realmente está acontecendo na operação.

Conclusão

O CFOP pode parecer intimidante à primeira vista, mas no fundo ele é apenas uma forma organizada e padronizada de descrever, em quatro dígitos, o que está acontecendo em cada operação da sua empresa. Lembre-se da lógica essencial: o primeiro dígito diz a direção (entrada ou saída) e o alcance geográfico (mesmo estado, outro estado ou exterior), e os três dígitos seguintes detalham a natureza da operação.

Como o código está diretamente ligado à tributação, escolher o CFOP correto é uma questão de saúde fiscal do negócio — não apenas de burocracia. Errar aqui pode custar dinheiro e gerar dores de cabeça com o Fisco.

A recomendação prática é simples: entenda a lógica geral (que agora você já conhece), mas, em caso de dúvida sobre qual código usar em uma operação específica, conte com o apoio do seu contador. Ele conhece as particularidades da sua atividade e do seu regime tributário e vai garantir que cada nota saia com o código certo — protegendo você e a sua empresa.

Na dúvida sobre o CFOP de uma operação? Consulte a tabela completa, com descrição e operação espelho — ou fale com um consultor da Contador One.
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